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Freio de Ouro: tradição, parceria e paixão

24/05/2018

O Freio de Ouro é a maior e mais seletiva competição relacionada a equinos da raça crioula. Tradicional no Rio Grande do Sul, o evento avalia critérios morfológicos e funcionais de 96 animais e celebra 41 anos de histórias. A esperada disputa final será durante a Expointer, maior feira agropecuária do Brasil.

Com apoio da Massey Ferguson, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) realiza anualmente provas com 48 fêmeas e 48 machos. “O Freio de Ouro se consolidou por ser a maior ferramenta de seleção da raça crioula no mundo. Nossos equinos são diferenciados e aguentam todas as fortes provas”, afirma Eduardo Móglia Suñé, presidente da ABCCC. De acordo com ele, a realização do evento de tamanha dimensão só é possível a partir do apoio de parceiros. “A Massey tem sido de extrema importância para a nossa prova. É uma empresa que acredita nas coisas que vêm do campo e, por isso, temos muito orgulho de tê-la como nossa aliada”, declara.

Ginete do século

“O cavalo faz parte da minha vida desde que nasci”, declara Vilson Charlat de Souza, primeiro vencedor do Freio de Ouro. Com a frase de tom saudoso, o ginete recorda seus tempos áureos de conquistas no mais emblemático evento dedicado ao cavalo crioulo.

Considerado o ginete do século por ginetes, crioulistas e apreciadores da raça crioula, se diz emocionado e honrado pelo título, conquistado com muita dedicação ao longo dos anos. “Acredito que fui considerado devido a minha escola diferenciada, pois o quartel me proporcionou a prática de equitação, conhecimento que os ginetes da época não tinham, e que ajudou bastante. Além disso, sempre acompanhei a evolução da raça e do próprio evento”, declara Vilson.

Desde 1982, quando iniciou na competição, Vilson coleciona vitórias. Foram 11 freios, sendo 5 de ouro, 4 de prata e 2 de bronze. “Recebi prêmios durante toda minha jornada na raça até 2001, quando pendurei minhas esporas. O significado para mim é de um trabalho feito com muita dedicação e competência”, pontua.

Crioulo campeão

O cavalo crioulo Itaí Tupambaé foi o grande parceiro de Vilson na vitória do primeiro Freio de Ouro da carreira. “O Itaí era um grande cavalo, muito ágil e que não se esquecia dos trabalhos, por isso não era necessário repetir muitas vezes. Ele era um cavalo diferenciado”, conta o ginete.

Provas dos dias de hoje

Aposentado das competições, Vilson afirma que acompanha as provas de perto. “Tento sempre estar envolvido para prestigiar meus amigos. Sinto muita saudade, gosto de recordar dos bons cavalos que montei”, declara. Entre os cavalos que fizeram história ao lado de Vilson, ele recorda nomes como Itaí, Nobre Tupambaé, Itaipu de São Martin, La Fronteira Tormento e LS Balaqueiro. “Fico muito emocionado quando posso estar presente na pista de Esteio, onde passei a maior parte da minha vida”, diz. Aos ginetes que competem e aos que pretendem começar a vida na montaria, ele aconselha: “o ginete precisa ter humildade e estar sempre disposto a aprender”.

O Freio de Ouro

A competição se divide em duas etapas: morfologia e prova funcional. A morfologia se refere à avaliação do padrão racial e do nível de enquadramento do animal aos padrões seletivos da raça. Já a prova funcional avalia o desempenho do cavalo em atividades derivadas das lidas do campo e se divide em dois momentos: primeiro (andadura, figura, volta sobre patas e esbarrada, mangueira e prova de campo ou paleteada) e segundo (mangueira, bayard-sarmento e prova de campo ou paleteada 2).

15.154, a Lei do Freio de Ouro

O Freio de Ouro passou a fazer parte da lista de eventos de interesse cultural do Rio Grande do Sul. Em abril de 2018, o governador do Estado José Ivo Sartori sancionou a Lei Estadual 15.154, denominada “Lei do Freio de Ouro”. Para Sérgio Turra, deputado que apresentou o projeto, e para o governador, o evento possui grande importância para os setores econômico, cultural e turístico do Estado.

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